The bi-sexual Life no dia a dia

Tentando esquecer

Na tentativa de esquecer Diego e todas as falsas promessas que ele fizera em nossa relação, comecei a buscar a melhor entre tantas opções de intercâmbio no exterior. Decidi que iria para Toronto, Canadá. Aprender inglês, melhorar o pouco que eu sabia e conhecer gente nova, viver! Passei um ano todo fugindo da minha vida local, apenas buscando fazer amizades virtuais com pessoas que viviam no Canadá, para descobrir lugares a visitar, coisas a fazer, enfim, aquele tipo de informação que todo turista busca. Naquele ano, havia apenas duas coisas que eu fazia muito.

Trabalhar para juntar dinheiro e amizades virtuais em Toronto. Me afastei completamente de minhas amigas e de tudo o que me fazia lembrar da minha relação. A única coisa que me prendia viva era o meu trabalho que eu amava de paixão. Eu sou formada em estética e cosmetologia pelo Senac, uma das escolas mais prestigiadas do Brasil. Me orgulho de minha profissão e sei que meus clientes também. Não somente pela maneira como eles me indicam para novos clientes, como pelo carinho que recebo de todos eles a cada data especial, com presentes e mimos que faço questão de guardar em um cantinho bem especial da minha casa. Acontece que aquele ano passou muito rápido e embora o amor que eu sinta por Diego seja forte, enlouquecedor eu diria, eu sequer tentei falar com ele de novo. E ele por sua vez também nunca mais me procurou.

Eu tinha medo de encontra-lo e por isso evitava sair de casa, tinha medo de falar dele ou de escutar alguém falando, por isso me exilei de todo mundo e por causa desse mesmo medo eu fugi para um intercâmbio em um país onde tudo o que eu conhecia era apenas o nome: CANADÁ. Cheguei no Canadá em meio à primavera, para mim aquilo ainda era inverno, pois fazia apenas 10 graus centígrados. Tudo muito lindo, o aeroporto, as pessoas, a educação, a limpeza, parecia outro mundo, outro planeta. Não dava nem para acreditar que aquilo era verdade. Todas as pessoas naquela região, uma respeitando a outra da forma mais simples e mais humana possível.

Me lembro que fiquei abismada ao ver aquele policial federal canadense, alto, forte, malhado, com uma tatuagem que cobria todo o pescoço, com os cabelos raspados nos lados e um moicano “presença” na cabeça. Quando bati os olhos a primeira coisa que eu pensei foi “isso nunca vai ser possível no Brasil” devido ao preconceito claro. Brasil um país muito superficial que julga as pessoas pela aparência, eu estava tão farta de tudo aquilo que ali eu já sabia que aquele era o meu lugar. Era meio dia quando eu saía do aeroporto e a primeira coisa que eu fiz, como todo bom e velho turista, foi tomar um café no famoso Tim Hortons. Enquanto eu tomava aquele delicioso café no saguão do aeroporto e me preparava psicologicamente para enfrentar o friozinho que fazia lá fora eu passei na frente de uma farmácia que fica dentro do aeroporto e a primeira coisa que eu vi me fez rir, era um pacote de camisinhas cor de rosa, com sabor de morango de textura extremamente fina, pelo menos era o que dizia a embalagem, que trazia os seguintes dizeres como slogan “Existem milhares de maneiras de curtir a vida, 70 delas estão aqui”. O pacote que vinha com 70 camisinhas me atraiu pela embalagem, pelo slogan e pela falsa esperança de que eu poderia, talvez, usar aquele produto na minha curta estadia no Canadá.

Peguei o pacote, paguei e avistei o taxi. Entrei no taxi e, completamente envergonhada com um “fardo” de 70 camisinhas na mão, que eu guardava discretamente na minha bolsa, entreguei na mão do motorista o papel com o endereço da casa de família que eu ficaria. Eu não queria falar muito com o taxista, pois meu inglês além de básico era ruim e o medo de ser enganada falou mais alto, era o trauma que eu carregava dos taxistas do Brasil que quando veem um estrangeiro fazem de tudo para “esticar” a corrida e cobrar mais caro. Embora eu não soubesse, meu medo era desnecessário. O taxista me levou direto para a casa, sem fazer rodeios, em 12 minutos parou o carro, me cobrou 22 dólares pela corrida e me deu o cartão de visita dizendo que se eu precisasse poderia ligar para ele a qualquer hora do dia ou da noite, pois assim como muitos que ali viviam, ele não tinha nada além do emprego e trabalhava sempre que o trabalho o chamava. Sem saber, aquele senhor, visivelmente imigrante vindo de um país do meio oriente, provavelmente do Paquistão, fez uma conexão comigo. Não somente pela honestidade, mas pela história de vida, pois eu estava ali, também sozinha, sem amigos, família, falava o idioma local muito mal e eu não tinha nada além da minha profissão.

Mal sabia eu do destino desse pacote de camisinhas…

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