The bi-sexual Life no dia a dia

Gisele e eu…

…abrimos nossos computadores e imediatamente fizemos nosso cadastro em um site de relacionamento que bomba no Canadá. Queríamos conhecer gente. Gente nova, gente diferente, gente bonita, gente agradável. Eu queria definitivamente esquecer que Diego existia. Não tive nem tempo de colocar a minha foto no perfil e como num passe de mágica homens de todos os tamanhos, cores, raças e religiões começaram a me entupir de mensagens e convites para transar. Eu, honestamente, não tinha sequer tempo para estabelecer uma conversa com nenhum deles, pois não parava de pular novas janelinhas de conversação na tela do notebook. Meu Deus, eu não sei se eles sabiam que estavam conversando com uma mulher ou se estavam na disputa por um novo pedaço de carne internacional e ainda por cima uma brasileira. Com a fama que as mulheres brasileiras têm mundo a fora, acho que a segunda opção é a mais assertiva. Eu sei que a quantidade de homens lindos me convidando para sair era tão grande que ali eu tive a certeza de que os meus problemas estariam resolvidos rapidamente.

Logo eu encontraria um homem que certamente me faria esquecer de todo o histórico emocional que eu tinha e que em breve eu estaria rindo disso tudo. Acontece que na brincadeira, falando com um e outro, eu acabei me identificando mais com uns do que com outros, que é o normal, acredito eu que todo mundo sempre faz, ainda que inconsciente, uma seleção de quem vai ser “ a presa” da vez e acabei marcando encontro com um lindo canadense chamado Keith. Falamos por volta de duas horas no telefone e já eram 2 da manhã quando ele disse que passava para me pegar. Eu sem hesitar e perdida naquela brincadeira, no auge de toda empolgação, passei o endereço da Gisele e em menos de 30 minutos lá estava ele.

Exatamente como eu imaginei. As fotos não mentiram e ele trouxe em mim o desejo de ser consumida pelo fogo da paixão. Keith era fisicamente como eu gosto, alto, da pele branquinha e dos cabelos bem escuros e tinha um olhar profundo que me trazia algo de familiar cada vez que me olhava. Me lembro de ficar perdida dentro daquele olhar misterioso cada vez que ele me olhava diretamente. Saímos de lá e fomos direto para o apartamento dele, que não era longe dali. No meio do caminho ele me perguntou o que uma brasileira linda e jovem como eu fazia no Canadá, eu me senti a última bolacha do pacote claro.

Expliquei a ele que estava dando um tempo do Brasil e que queria aprender inglês. Ele elogiou meu inglês do araque e enquanto estacionava o carro, eu estava completamente deslumbrada com o apartamento dele. Ele era um homem mais maduro emocionalmente, mas podia se notar que ele jovem de idade, eu relutei, até porque a idade dele naquele momento não interessava, mas não pude deixar de perguntar quantos anos ele tinha ao entrar no apartamento e ver que tudo estava no seu devido lugar. Quando ele me respondeu, fiquei ainda mais perplexa “27 anos”. Naquele momento a única coisa que eu pensava era no quanto eu precisava me casar com um homem desses, pois a gente que está tão acostumada com os meninos do Brasil, tão desorganizados e bagunceiros e relaxados, fica perplexa ao descobrir que um moço de apenas 27 anos consegue manter a casa no seu devido lugar.

A minha língua coçava para perguntar se ele tinha empregada, mas eu não tive de falar mais nada. Ao fechar a porta ele me tacou um beijo onde eu podia sentir aquela língua masculina e feroz procurando pela minha fragilidade. Na verdade, não tive muito tempo de pensar em nada, quando dei por mim, estávamos nus, jogados no chão da sala, naquele tapete grosso e aquecido pelo calor da lareira. Ali eu não sabia mais quem era quem. A única coisa que eu conseguia sentir eram minhas pernas bambas e o desejo incontrolável de ir cada vez mais longe com aquele homem, que ao tirar a roupa e ficar nu com uma taça de vinho nas mãos na frente da lareira me hipnotizou. Não, eu não queria mais nada da vida. Levando em consideração que o dia seguinte era domingo, embora confesso isso nem passou pela minha cabeça, tudo o que eu queria era me divertir, usar aquele parque de diversões a meu favor, dar o melhor de mim, dar até a última gota do néctar que certamente ele procurava. Cada gole que eu dava naquele vinho branco, deixava o clima mais sensual. Eu sentia que as palavras dele faziam muito mais sentido na medida que eu saboreava o vinho e na medida que aquele homem maravilhoso, com aquele corpo todo definido, nitidamente com um trabalho árduo na academia, se aproximava de mim.

Tudo o que eu queria era abrir as pernas e pular em cima daquele corpo levemente dourado pelas cores das chamas que saiam daquela lareira, mas a minha pose de recatada não me permitia me entregar, não me permitia ser quem eu queria ser e por mais livre que eu achasse que eu fosse, naquele momento, o ensino ditado pela sociedade machista que vivemos no Brasil, falou mais alto. Eu não me joguei, eu não me entreguei, eu sequer dei dicas de que queria ser invadida pelo fogo da paixão.

 

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