The bi-sexual Life no dia a dia

Fuga da realidade

Tudo começou com o abandono, com o sofrimento e o desejo de fugir da minha realidade. O que era uma história de amor e se transformou em uma constante luta e busca por minha verdadeira identidade, por minha verdadeira felicidade. Depois de caminhar uma vida inteira atrás daquilo que acreditava ser meu sonho, eu decidi me arriscar em uma nova vida, em uma nova oportunidade. Meu último relacionamento com Diego, um garoto de 22 anos acabara de forma repentina enquanto eu ainda estava no Brasil. Diego me amava, ou pelo menos eu queria acreditar que sim, éramos como unha e carne, quando não estava comigo, me mandava mensagens de texto, e-mails, declarações de amor, toda forma possível e imaginável de se expressar estava presente em nossa relação. Diego tinha ido passar o final de semana na casa dos pais, no interior de São Paulo, na saída disse que me amava, que não importava onde eu estivesse e nem onde ele estivesse no mundo, ele sempre estaria pensando em mim e sempre me levaria com ele. Se despediu com um longo e demorado beijo, partiu. Enquanto o carro se afastava eu fiquei pensando milhares de coisas, relembrando nossos momentos íntimos, que só de pensar me incendiava a alma.

Diego é um homem lindo, alto com 1,85 de altura, pele branquinha, cabelos negros e levemente ondulados com os olhos bem amendoados e de brinde, como se precisasse, tem um sorriso que encanta qualquer mulher da face da terra. Já eu sou uma mulher mais “feminina”. Com apenas 1,73 de altura, cabelos castanhos bem claros, quase loiros e lisos. Pele branca. Ele de família indígena eu de família italiana. Ele de família extremamente religiosa, eu de família liberal. Nos amávamos, mas nossas culturas tão diferentes nos afastavam de uma forma incrível. Era estranho como sempre que depois que tínhamos um dos melhores sexos de nossas vidas, a gente acaba discutindo por algum motivo bobo que a sociedade implantou e que a família dele o obrigava a seguir. Na maioria das vezes, ligado a religião. Assim que ele se foi, eu imediatamente liguei para as minhas melhores amigas e combinamos uma noite só nossa. Festa do pijama. Não demorou muito e elas começaram a chegar com as bebidas e eu imediatamente comecei a preparar uns lanchinhos. Já era tarde da noite, lá estava eu, feliz, conversando com minhas melhores amigas, rindo e falando exatamente da minha relação, de como eu transbordava de felicidade cada vez que o Diego falava em casamento.

O telefone tocou, interrompi nossas piadas para atender. Era Diego me dizendo que estava com uns amigos na casa dos pais dele, me perguntou como estava o encontro com as meninas entre outras coisas que não me lembro muito bem, pois minha percepção feminina e aguçada me dizia que algo estava errado no tom de voz dele. Aos poucos ele foi revelando que havia um problema em nossa relação, não exatamente com essas palavras, mas de alguma forma era exatamente isso que ele dizia. E conforme ele falava, minha expressão mudava. De risos, lágrimas. Um choque. A única coisa que eu escutava entre tudo o que ele dizia era “a gente não dá mais”. Minhas amigas imediatamente notaram que havia algo errado, me rodearam, eu fiz que não com a cabeça, como que querendo afastá-las e sai andando. Conforme eu andava parecia que o chão estava se abrindo. Eu nunca havia me sentido assim antes. Era como se uma catástrofe ocorresse em meio ao paraíso. Era como se de repente Deus não existisse mais e como num passe de mágica o demônio roubara todo o poder e criatividade do que era lindo, transformando meu sonho no meu pior pesadelo. A festa acabou, enquanto eu estava com Diego no telefone eu tentava desesperadamente entender o porquê de estarmos terminando nossa relação e ele simplesmente repetia “porque não dá mais, talvez em um outro momento, em uma nova oportunidade, agora certamente não mais”…

E realmente não dava nem pra mim… mas só descobri bem depois o porquê.

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